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The Book :: Capítulo XX - Pedaços (Capítulo Final)

O gatilho tinha sido premido. Do cano da arma, uma bala saíra e perfurara o peito. O peito da Emma, pois tinha sido eu a premir o gatilho. Não sei como ganhei coragem para o fazer, mas eu tinha de salvar quem amava, e a Emma eu não amava mais. Ela tinha destruído todo o amor que alguma vez tivera por ela. Todos os momentos que tivemos simplesmente desapareceram.
- Porquê, James? A Caroline amava-te tanto. – disse ela, com muito esforço.
- Eu nunca, mas nunca deixei de amá-la. Sei que não tenho perdão pelo que lhe fiz, mas nunca duvides que a amei também. – respondi.
Uma lágrima começou a descer pelo rosto dela e pouco depois, fechou os olhos e morreu nos meus braços. De repente comecei a sentir cheiro a fumo. As velas tinham pegado fogo ao sótão.
Depressa, desatei a Sophie e a Kate das cadeiras e fugimos do sótão.
- Depressa! Saiam! – gritei.
- James! O pai! – disse a Sophie.
- Vai buscá-lo, eu levo a Sophie para fora da casa. – disse a Kate.
Todas as coisas que estavam no sótão arderam em segundos e rapidamente todo o andar de cima estava também a arder. A casa estava repleta de fumo das chamas. Desci as escadas e fui até à sala onde o meu pai ainda estava inconsciente no chão.
Agarrei nele, o fogo estava a alastrar tão depressa que tinha de agir rapidamente. Mas havia demasiado fumo o que tornava difícil, não só a minha respiração como a minha visão. Conseguia ouvir cada pedaço de madeira a ser queimado, tinha de chegar à porta, tinha de salvar o meu pai mas estava a tornar-se cada vez mais difícil. De repente, um pau em chamas caiu mesmo na nossa frente, não consegui aguentar mais, estava a asfixiar. Perdi os sentidos e desmaiei.
No dia do incêndio tive sorte de os bombeiros chegarem a tempo de me salvar a mim e ao meu pai.
Hoje, dez anos depois, foi quando voltei à minha casa. Agora, apenas restam cinzas e madeira queimada. Casei com a Kate e tivemos uma filha. Enquanto estávamos a ver o que sobrara da casa, a minha filha foi até perto de um armário partido. Voltou, e entregou-me um pedaço de papel que achara.
- Olha papá.
- O que é isto, Caroline?
Agarrei nele com a minha mão que ficara queimada no incêndio e vi que era a página do diário que eu tinha lido, há dez anos atrás, com a minha irmã:
“...e foi entre pólvora e fogo, que tudo acabou”.

------------------------------------- FIM -------------------------------------

The Book :: Capítulo XIX - Última Jogada

Primeiro perdi a Caroline, depois a minha mãe, depois o John. Agora, a pessoa com que eu pensava passar a minha vida, revela-se uma espécie de psicopata que apenas vive pela vingança. A Sophie chorava, atada à cadeira, mesmo no centro do sótão, enquanto a Kate tinha uma arma apontada à cabeça.
- Emma, tu tens de parar com isto. – disse.
- Parar? James, eu mesmo agora comecei. Isto é o princípio da tua destruição.
- Eu faço o que quiseres mas por favor pára!
- A única coisa que eu quero que faças é que fiques quieto e aprecies o espectáculo.
- Tu não estás bem, Emma. Deixa-me ajudar-te.
- Ajudar-me? Como ajudaste a minha irmã, James? Tu é que não estavas bem quando a deixaste sozinha, grávida de ti.
- Eu sei que não tenho perdão, mas isto não vai fazer com que a Caroline volte.
- Tu não tens o direito de dizer o nome dela. Tu não vales nada.
Ela levou a Kate, sentou-a e amarrou-a tal como a Sophie. Depois, acendeu duas velas e colocou o diário em cima de uma mesa. A Sophie estava à direita da mesa e a Kate à esquerda. Eu nunca tinha visto a Emma assim, sem dúvida que estava possuída pela raiva, pela sede de vingança.
- Agora só precisamos esperar mais um pouco até que o Sol se ponha para a maldição do diário adormecer. Depois é só assumir o controlo das palavras. – disse ela.
Eu estava completamente imobilizado, não ia arriscar tentar chegar à Sophie pois a Emma iria, sem qualquer problema, dar um tiro na Kate. Eu não sabia o que fazer ou o que mais dizer, mas aquilo não podia ir mais longe. Olhei para a janela e o céu estava negro. Era noite, o tempo acabara. Estava desesperado e quase sem pensar disse:
- Mata-me a mim!
- O quê? – perguntou a Emma.
- Sim! Mata-me a mim em vez dela. Isto é entre nós dois, Emma.
- Achas mesmo que eu te ia fazer essa vontade? Tu não vais morrer pelo teu pecado, vais antes viver e sofrer por ele.
Ela abriu o diário.
- Pára! Não leias o diário! – gritei.
- Mas quem te disse que eu o vou ler? – disse, passando o livro para o lado esquerdo. – Kate, fazes o favor de ler?
- Kate! Não!
Não sei como consegui, mas corri rapidamente em direcção à Emma, empurrando-a para cima da mesa que se partiu. Agarrei na arma, tentando tirar-lha mas ela insistia comigo.
- Tu tens de pagar, James! Tu tens de pagar! – gritou a Emma.
Bum! A arma disparou.

The Book :: Capítulo XVIII - Passado

As lágrimas começaram a percorrer o meu rosto. Naquela fotografia estava uma pessoa que eu muito amara mas que também muito fizera sofrer.
- James, o que é isso? – perguntou a Kate.
- Ela era irmã dela.
- Quem, James, quem?
- Toma. Vê.
- Esta rapariga que está com a Emma, na fotografia, é irmã dela?
- Sim. Agora percebo o porquê desta vingança.
- Mas o que se passou com esta rapariga?
- Caroline. Era esse o nome dela. Nós conhecemo-nos há mais ou menos 6 anos atrás. Apaixonei-me desde a primeira vez que a vi. Ela era linda. Algum tempo depois começámos a namorar, eu estava tão feliz e amava-la tanto.
- Que aconteceu depois?
- Um dia, a Caroline veio ter comigo. Disse que tinha um assunto muito importante para falar. Ela estava grávida. Ao princípio fiquei em choque, mas depois dei-lhe todo o meu apoio. Ela não podia voltar para casa, os pais dela não iam permitir. Então disse-lhe para fugirmos, para ir buscar as coisas dela e encontrar-se comigo ao pôr-do-sol, junto à fonte.
- E para onde fugiram?
- Eu não consegui. Eu não fui ter com ela e fugi, deixando-a sozinha à minha espera.
- James…
- Eu tive medo, estava completamente aterrorizado. Eu amava-a mas não estava preparado para ser pai… Meses depois voltei e soube que os pais a tinham obrigado a abortar e dias depois de isso acontecer ela suicidou-se. Eu nunca me vou perdoar pelo que lhe fiz. Nunca.
- É por isso que a Emma se quer vingar. Ela quer que pagues pelo que a irmã dela sofreu.
- Eu não sabia que elas eram irmãs. A Emma sempre me disse que não tinha família.
Pouco depois, entrou um médico no meu quarto.
- Sr. Knight, tenho boas notícias. Irá ter alta daqui a 2 dias.
- Que bom, James. – disse a Kate.
Durante os dois últimos dias que passei no hospital, a Kate continuou a visitar-me e combinámos que ela me ia buscar no dia seguinte, à tarde, quando tivesse alta.
Arrumei todas as minhas coisas que estavam no hospital enquanto esperava pela Kate, mas ela não aparecia. Tentei ligar-lhe, mas não atendeu. Chamei um táxi e fui para casa. Quando entrei, o meu pai estava caído no chão da sala.
- Pai, que aconteceu? Estás bem?
- A Emma… Ela…
- Onde é que ela está?
O meu pai acabou por desmaiar, fui até ao primeiro andar.
- Emma! Emma! Onde estás?
Procurei por todo o lado, só me faltava o sótão. Entrei e a minha irmã estava lá, atada numa cadeira, com a boca tapada.
- Sophie!
- Nem mais um passo, James! – disse a Emma que apareceu, apontando uma arma à cabeça da Kate.
- Que estás a fazer, Emma?
- Isto vai ser muito simples. Tu tiraste-me a minha irmã… e eu agora vou tirar-te a tua.

The Book :: Capítulo XVII - Fuga

Tentei afastá-la. Empurrei-a mas não tinha força suficiente.
- Não tens salvação, James. É desta que vais pagar. – dizia ela.
Estiquei a mão para tentar carregar no botão outra vez mas não consegui. Estava a sufocar, não aguentava muito mais tempo sem respirar. E o pior de tudo é que era a minha namorada, a pessoa que eu amava, com quem queria ficar para sempre, que me estava a tentar matar. Ouvi a porta do meu quarto abrir.
- James! – gritou a Kate, que acabara de entrar.
Ela puxou a Emma, tirando-a de cima de mim e eu pude voltar a respirar.
- Que estavas a fazer? Estás louca? – perguntou a Kate.
- E tu que não aparecesses para lhe salvar a vida.
- Emma, tu não estás nada bem.
- Eu estou perfeitamente bem, tenho um óptimo plano e nem tu nem ninguém se vão meter no meu caminho.
- Dá-me o diário. Isto pode tornar-se muito perigoso.
- Ainda bem, é mesmo disso que preciso.
- Dá-mo!
- Nunca!
A Kate, de repente, esticou o braço e tirou-lhe o diário.
- Devolve-me isso. – disse a Emma, atirando-se para cima da Kate.
As duas começaram a brigar, derrubando tudo no quarto. A Kate agarrou no pescoço da Emma e disse:
- És patética. És uma cabra patética.
- Kate, pára! – disse-lhe – Estás a matá-la.
Ela não parava e a Emma lutava para tirar as mãos dela do pescoço.
- Pára! Estás a tornar-te como ela. Tu não és assim, Kate. Sempre me disseste a verdade, não és uma mentirosa como ela. – voltei a dizer-lhe.
De repente, a Emma agarrou num pedaço de vidro que estava no chão e espetou-o na perna da Kate que a largou imediatamente.
- Cabra e patética és tu, e por isso vamos voltar a encontrar-nos. – disse a Emma, que agarrou no diário e saiu a correr.
Carreguei no botão e após algum tempo, chegou um médico. Disse-lhe o que se tinha passado, e ele telefonou para a polícia e levou a Kate para lhe tratar o ferimento.
No dia seguinte, quando acordei, a Kate estava ao meu lado.
- Kate, estás bem? – perguntei.
- Sim, James. O corte não foi muito profundo, só precisei de alguns pontos. Mas isto não são as más notícias.
- Que mais aconteceu?
- A Emma conseguiu fugir. Foram ao apartamento dela, mas estava vazio. Ela desapareceu.
- Temos de encontrá-la. Ela não está bem.
- James Knight? – disse uma enfermeira que acabara de entrar no quarto.
- Sim, sou eu. – respondi.
Entregou-me um envelope e saiu. Abri-o e dentro tinha uma fotografia. Aquilo não estava a acontecer. Voltei a fotografia e atrás estava escrito:
‘Três dias, James. Tique-taque, tique-taque…’

The Book :: Capítulo XVI - 168 Horas

Como é que isto podia estar a acontecer? A minha própria namorada. A pessoa que eu amo. Ela tinha o diário e isso só queria dizer uma coisa: tinha-me mentido sobre o assalto. Tinha sido ela a destruir o próprio apartamento para eu pensar que o assalto tinha sido real e que tinham levado o diário. Mas porque o queria? Saberia da história toda? Tentei controlar-me e fingi que continuava com amnésia.
- Sim James, sou eu. – disse ela.
- Já… Já estás aqui?
- Sim, queria ver como estavas. Ando muito preocupada contigo.
Eu não estava a acreditar. Como é que ela poderia estar a ser tão falsa. Aquela não era a Emma que eu conhecia.
- Como estás hoje? – perguntou-me – Já te lembras de alguma coisa?
- Não… Não me lembro de nada, mas já tenho menos dores.
- Que bom. Fico tão contente que estejas a melhorar.
Ela passou o resto do dia comigo, mas eu não conseguia nem olhar para ela, por isso, fingi que estava a dormir. Durante um tempo ela saiu e voltou a deixar a mala na cadeira. Era a minha oportunidade, tinha de conseguir tirá-lo. Não me conseguia levantar, então estiquei o braço o mais que pude mas a cadeira estava longe da cama, não conseguia chegar lá, mas estava tão perto… Voltei a esticar o braço, estava a tocar na mala com a ponta dos dedos, estiquei mais uma vez, voltei a tocar na mala… e caí da cama, derrubando a cadeira e mala. De repente, a Emma entrou.
- James? Que aconteceu? Enfermeira! Preciso de ajuda aqui!
- Que aconteceu? – perguntou a enfermeira.
- Saí para ir à casa de banho, ele estava a dormir, acabei de entrar no quarto e ele estava caído no chão.
- Ajude-me a levantá-lo.
Voltaram a colocar-me na cama, o meu braço partido doía mais do que nunca. A enfermeira deu-me uma injecção e voltei a dormir. Quando acordei já era noite. Ouvi passos no quarto e disse:
- Kate? És tu?
- Com que então ela vem ver-te durante a noite, afinal sempre é mais esperta do que eu pensava.
Acendi a luz, era a Emma e tinha o diário na mão.
- Que fazes aqui, Emma?
- Era isto que tentavas tirar da minha mala? – perguntou, mostrando-me o diário.
- Como é que tu foste capaz de me mentir assim?
- Vá lá James, não vais começar com sentimentalismos, pois não? Foi só uma pequena mentira.
- De todas as pessoas, eras a última que esperava fazer-me isto.
- Pois, mas fiz. E agora este diário vai ser muito útil.
- Para que queres o diário, Emma?
- Depois vês, tenho uma coisinha preparada para ti.
- Vou imediatamente chamar alguém. Tu enlouqueceste.
Tentei carregar no botão para chamar a enfermeira mas ela agarrou-me no braço.
- Devia ter acelerado mais o carro. – disse ela – Assim, não terias ficado 168 horas em coma e tinhas morrido logo de uma vez. Mas se não morreste à primeira, talvez morras à segunda.
Agarrou numa almofada e forçou-a contra a minha cara.

The Book :: Capítulo XV - Memória

Bip…Bip…Bip… Era o que ouvia quando comecei a acordar. Onde estava? Tinha dores em todo o corpo mas era a cabeça que me doía mais. Parecia que estavam a apertá-la. Devagar, comecei a abrir os olhos. Não consegui logo ver claramente onde estava, mas aos poucos, a minha visão começou a voltar. Havia alguém sentado ao meu lado, uma mulher. Era a Emma, estava a dormir. Tentei mexer-me mas as dores eram muitas. Tinha partido o meu braço direito, mas como? A última memória que tinha era que tinha ido para as montanhas. Um telemóvel começou a tocar e a Emma acordou. Olhou para mim.
- James, acordaste.
- Que se passou?
- Não te canses. O médico disse para descansares.
- Mas o que me aconteceu?
- Tiveste um acidente mas vais ficar bem. Agora dorme mais um pouco.
- Um acidente?
- James, não faças mais perguntas. Eu vou chamar o médico e ele explica-te tudo.
A Emma saiu e passado alguns minutos voltou com um médico que me contou o que me acontecera.
- O James foi atropelado. Teve muita sorte de ter sobrevivido. Tem várias fracturas e pode estar a sofrer de amnésia mas com o tempo vai voltar ao normal. Agora é aconselhável que descanse.
Tinha sido atropelado? Por quem? Eu não me lembrava de nada. Tentava recordar momentos recentes mas não conseguia, era como procurar algo numa caixa vazia. De repente comecei a ouvir alguém perto da porta do meu quarto.
- Eu preciso de falar com ele. Preciso ver como ele está. – reclamava alguém.
- Minha senhora, não pode entrar. O doente precisa de descanso absoluto. – respondiam.
Eu conhecia aquela voz, eu sabia quem era mas não me conseguia lembrar. A Emma levantou-se e disse:
- Eu vou ver o que se passa.
Os meus olhos começaram a pesar, comecei a sentir-me cansado e sem que desse conta, voltei a dormir.
- James? James? – alguém me chamava – James, acorda.
Devagar, voltei a acordar, mas agora já não via luz a entrar pela janela. Já não era dia.
- Quem está aí? – perguntei.
- Sou eu, a Kate. Tentei ver-te hoje, mas não me deixaram entrar.
Ela ficou comigo durante a noite e contou-me sobre um diário, sobre o John, sobre uma maldição e sobre o meu acidente. Eu não me lembrava de nada, mas sentia que podia confiar nela, que tudo o que ela me dizia era verdade. Ela saiu antes de amanhecer e eu voltei a descansar. Quando acordei, abri os olhos e vi uma mala em cima da cadeira ao lado da minha cama. Era de alguém que estava ali para me visitar. Voltei a olhar melhor para a mala, para o interior e vi uma coisa que me deu, como que um clique, no meu cérebro e voltou a fazer lembrar-me de tudo. Lembrei-me que tinha lido o diário de Harry Taylor, que o John morrera por causa disso, que tinha que destruir o diário para acabar com a maldição, que o apartamento da Emma tinha sido assaltado, que o diário desaparecera, que um carro vinha na minha direcção… Lembrei-me de tudo, porque o diário estava na mala dela, ali à minha frente. Ela entrou no quarto.
- James. Já estás acordado.
- Emma?

The Book :: Capítulo XIV - Colisão

- Tu és… - disse.
- Sim, James. Sou a filha de Harry Taylor, sou a filha que escapou, a qual nunca encontraram o corpo, pois eu não morri.
- Agora deste-me mais um motivo para eu desconfiar de ti.
- Em relação a quê?
- Onde está o diário?
- A última vez que o vi estava contigo.
- Por isso mesmo. Tu viste-me com ele, seguiste-me, depois assaltaste a casa da Emma e levaste o diário. Confessa, foste tu.
- Acredita em mim, eu bem queria fazer isso tudo que disseste mas não fiz, queria falar contigo primeiro.
- Falar comigo? Porquê?
- Porque eu não te contei tudo sobre o diário.
- Então conta-me. Estou a ouvir.
- Aqui não, vamos para onde não possam ouvir a nossa conversa.
Saí da biblioteca com a Kate e fomos até um terreno abandonado. Que queria ela dizer-me sobre o diário? Haveria algo pior que eu ainda não sabia?
- Acho que aqui podemos falar mais à vontade. – disse a Kate.
- Mas afinal que me querias contar? O que é que ainda não sei sobre o diário?
- Eu vou contar-te tudo. Tenho andado à procura do diário do meu pai e todas as pistas que tinha vieram dar-me a esta cidade. No dia em que nos conhecemos, não foi por acaso.
- Não foi?
- Não. Eu ouvi-te falar sobre o diário no café, eu estava lá. Depois, fui atrás de ti até à biblioteca e fiz com que chocássemos. Contei-te sobre o diário para que mo mostrasses mas em vez disso foste lê-lo com a tua irmã.
- Eu não acreditei no que me disseste. Não acreditava em livros amaldiçoados.
- Não foste o primeiro a cometer esse erro mas agora já não podemos fazer nada em relação ao namorado da tua irmã. Agora, o que te queria contar é que daqui a duas semanas faz vinte anos que o meu pai morreu.
- E o que é que acontece?
- Eu descobri, que vinte anos depois de o livro ter sido amaldiçoado, quem o ler durante esse dia pode controlar a maldição. Ou seja, pode escolher o alvo daquilo que leu. É por isso que eu tenho que recuperar o diário.
- Para puderes controlar a maldição?
- Não. Para destruir o livro antes que alguém o volte a ler.
De repente, ouvi um barulho.
- Que foi isto? – perguntei
- É melhor sairmos daqui.
Depois daquela conversa com a Kate tomei uma decisão, tinha que contar à polícia que tinham roubado algo para que eles voltassem a abrir o caso. Tinha que falar com a Emma, por isso, enquanto ia para casa dela, liguei-lhe mas não me atendeu. Então deixei mensagem.
‘Emma, é o James. Vou agora para tua casa, tenho uma coisa para te contar sobre o diário. E vou informar a polícia que te roubaram algo no assalto.’
Bati à porta mas ela não estava em casa. Voltei a ligar-lhe mas, mais uma vez, não atendeu. Decidi ir-me embora, comecei a atravessar a rua. De repente ouvi um carro que vinha em grande velocidade. Olhei para o lado e o carro vinha… na minha direcção.

The Book :: Capítulo XIII - Identidade

Assim que a Emma desligou, fui para o quarto. Estava sem cabeça para mais um problema. Precisava de descansar, de me livrar das coisas más nem que fosse apenas por umas horas.
Que tinha acontecido à minha, comum e normal, vida? Eu só queria que tudo voltasse a ser como era. Feliz, era isso que eu queria voltar a ser.
De manhã, quando acordei, fui a casa da Emma para falar melhor com ela. A casa ainda estava um caos. Havia cadeiras partidas, livros rasgados, vidros e loiça em pedaços, tudo espalhado pelo chão do apartamento. Tinham procurado pelo diário por todos os cantos.
- Destruíram quase tudo. O que levaram? – perguntei.
- Nada.
- Nada?
- Sim, não levaram nada meu. Partiram tudo e apenas levaram o diário.
- Isso quer dizer…
- Quer dizer que quem fez isto sabia o que andava à procura, não foi um simples assalto, foi planeado.
- Mas então porque é que partiram tudo?
- Não sei, James. Por diversão? Para deixarem um aviso? Sei lá…
- Já chamaste a polícia?
- Sim, e vieram logo de manhã recolher informações e impressões digitais.
Passaram dois dias e a Emma telefonou-me para a encontrar no café.
- Já tens alguma novidade? – perguntei.
- Sim, tenho.
- E então?
- Nada, não encontraram nada. E como eu disse que não tinha levado nada, arquivaram o caso.
- Não acredito, sem pistas nunca mais vamos descobrir quem levou o diário.
- Foste tu quem o trouxe, enquanto ias para minha casa ninguém te seguiu ou te viu com o diário?
- Não reparei, mas acho que ninguém me estava a seguir mas…
- Mas…?
- Uma pessoa viu-me. Tenho de ir.
- James! Onde vais?
Sai do café e fui em direcção à biblioteca. Procurei e por fim encontrei-a, a Kate. Fui ter com ela, agarrei-lhe no braço e perguntei-lhe:
- Quem és tu?
- James, que se passa?
- Quem és tu? – voltei a perguntar, apertando-lhe mais o braço.
- Sou eu, a Kate. Estás a magoar-me.
- Apareceste do nada com todas as respostas às minhas perguntas. Quer saber o teu nome completo!
- Está bem, está bem eu digo-te. Mas larga-me, estás a magoar-me.
Larguei-a e ela respondeu à minha pergunta:
- Chamo-me Kate. Kate… Taylor.

The Book :: Capítulo XII - Roubado

Os meus olhos encheram-se de lágrimas e o meu coração parecia ter ficado preso dentro de uma pequena caixa. Era difícil respirar, mas depois do impacto inicial, o sangue começou rapidamente a circular nas minhas veias, estava furioso.
- O quê!? O pai fez o quê!? – perguntei.
- Eu não queria, mas a curiosidade tomou conta de mim. Eu li o diário e isso foi fatal para a tua mãe.
- Eu não estou a acreditar no que estou a ouvir. E porque não disse nada? Porquê?
- Contar aos meus filhos que fui quem causou a morte da mãe não era o que queria fazer, não achas James? Foi por isso que escondi o que fiz.
- O pai não tinha o direito de nos mentir desta maneira! Veja o que aconteceu agora! O John morreu, o pai sabia do diário, a culpa é sua!
- Tu também sabias do diário, eu conheço-te, de certeza que pesquisaste sobre ele!
- Eu não sabia que era verdade, mas o pai sabia e não contou! Eu estava preocupado consigo, pensava que algo de mau se estava a passar mas afinal estava só a esconder-se para não enfrentar os problemas! Queria apagar o que fez!
- James, eu não...
- Não quero ouvir mais desculpas! Chega! Porque é que não destruiu o diário? Porque decidiu fazer este mistério em volta dele?
A discussão estava cada vez pior, estava mesmo furioso. O meu pai sabia de tudo e não contou. Ele e os seus malditos segredos. Estava prestes a explodir de raiva.
- O pai não vale nada! – disse enquanto me preparava para lhe dar um murro.
- James! O que estás a fazer!? – gritou a Emma, que tinha chegado com a Soph.
Talvez mais dois segundos e eu teria feito uma coisa que me iria, em seguida, arrepender. A Soph não se apercebeu da discussão pois tinham-lhe dado uns comprimidos para descansar. A Emma foi levá-la para o quarto e voltou.
- Queres explicar-me o que se passou? – perguntou ela.
Contei-lhe o que o meu pai tinha feito e porque estava a reagir assim quando ela chegou.
Queria acabar com aquela história daquele maldito diário de uma vez por todas por isso pedi-lhe que fosse a casa e o trouxesse. Tinham sido muitas emoções para um só dia, tinha a cabeça a mil.
Por fim, o meu telemóvel tocou. Era a Emma.
- James, tem calma.
- Que se passa, Emma?
- A minha casa… A minha casa foi assaltada.
- O quê!?
- Sim, James… Roubaram o diário.

The Book :: Capítulo XI - Verdade

Tudo mudou. Conseguia ouvir o ar a entrar quando inspirava e a sair quando expirava. Conseguia ouvir os batimentos do meu coração, sentir o sangue a circular nas minhas veias.
Estava como que em câmara lenta. Olhei à minha volta. Vi a Sophie a tocar na cara do John mas ele não se mexia e tinha a cabeça decaída, a Emma estava ao meu lado acho que estava a chamar-me, mas não a ouvia. Estava em estado de choque, acho eu. Aos poucos comecei a voltar ao normal.
- John! Responde, John! Fala comigo! – gritava a Soph.
- James, estás bem? James! – gritava a Emma.
- Que se passa? Que se passa? – disse.
- O John foi atingido. – respondeu a Emma, a chorar.
- O John? John! – gritei
Sai imediatamente do carro, abri a porta da frente do passageiro onde estava o John. Quando a abri, vi-o sentado, de olhos fechados. Tinha um buraco na testa e sangue a escorrer até à cara.
Estava petrificado, aquilo não podia estar a acontecer. O John não podia estar… não podia… estar… morto. Lembrei-me, imediatamente, do que a minha irmã tinha lido no diário: “… e foi um tiro certeiro, mesmo na cabeça. Limpo e mortal.”.
Afinal era verdade, toda a história que a Kate me contou era verdadeira. Eu não devia ter deixado a Soph ler o diário. Eu não devia ter deixado, mas a verdade é que deixei e agora não havia solução para o John, ele estava morto. Isto queria dizer que o que eu li também se iria realizar.
Acalmei-me, e levei o John até ao hospital.
- A culpa é minha, James. Eu não acreditei e li o diário. – disse a Soph, a chorar.
Abracei-a.
- Não te culpes. Eu é que nunca te devia ter envolvido nisto. Desculpa.
Comecei a sentir a cara molhada, estava a chorar. Sentia uma dor enorme dentro de mim.
- Emma, ficas com o Soph?
- Claro que sim, mas onde vais?
- Tenho que esclarecer umas coisas com o pai.
- Mas agora, James? Não é altura para mais discussões entre vocês.
- Eu tenho de saber a verdade. Agora.
Peguei no jipe e quando dei por mim já estava em casa. O meu pai estava na sala.
- Porque é que não contou o que sabia? Porque é que não disse nada?
- James, calma.
- Não me peça para ter calma! Não agora!
- Eu só estava a proteger-vos, compreende isso!
- Pelos vistos a sua protecção não foi suficiente! Veja o que aconteceu!
- Eu não podia contar! Eu não podia!
- Não podia contar o quê? Diga pela primeira vez a verdade!
- Eu não podia contar que li o diário! Eu não podia contar que matei... a tua mãe!

The Book :: Capítulo X - Próxima Paragem

Passou uma semana desde a minha irmã e eu termos lido um pouco do diário.
Nada aconteceu. Nada do que lemos se tornou real, o que era uma boa notícia sem dúvida, queria dizer que tudo o que a Kate me contara sobre o diário não passara de uma história que alguém tinha inventado acerca dele, mas também me deixou confuso. Se não havia nada de paranormal com o diário, porque é que o meu pai fazia todo aquele mistério, escondendo-o e preocupando-se que assim ficasse?
Mas naquele dia não queria pensar mais em mistérios e coisas do género, pois tinha uma espécie de passeio até às montanhas, ao qual a Sophie, o John e a Emma, quase me obrigaram a ir.
Peguei no diário e fui ter a casa da Emma, pois mesmo não querendo ter nada a ver com ele naquele dia, não me arrisquei a deixá-lo em casa dos meus pais e pedi à Emma para o guardar na casa dela até voltarmos, pois iria ter uma conversa muito séria com o meu pai.
Quando sai do carro, encontrei a Kate.
- Olá James.
- Olá. Tudo bem?
- Sim, que livro é esse?
- Não é nada de especial, apenas um livro que a Emma me emprestou. Desculpa, mas estou mesmo com pressa porque vamos dar um passeio e eu já estou atrasado.
- Tudo bem, andas sempre com presa. Depois diz qualquer coisa.
- Sim, está bem. – disse enquanto me afastava.
Cheguei a casa da Emma e já estavam todos à minha espera.
- Então James, estás pronto? – perguntou a minha irmã.
- Que remédio…
- Vá lá, James. Vai ser bom mudar de ares – incentivou-me o John.
Tentei convencer-me e disse:
- Sabem que mais? Vocês têm razão! Vamos embora!
- Próxima paragem: Blue Mountain! – gritou a Emma.
Fomos no jipe da Sophie e depois de ela e o John muito discutirem para decidir quem ia a conduzir, por fim, ela ganhou.
Estava tudo a correr na normalidade, o assunto ‘Diário’ não era mencionado e eu, confesso, estava a ficar mais optimista em relação à viagem, mas do nada ouvi um barulho, o vidro do carro partiu-se, a Sophie travou imediatamente, olhou para o lado e gritou:
- John? John? John!

The Book :: Capítulo IX - Palavras, Apenas Palavras

O que haveria de fazer? Tinha naquele momento a oportunidade perfeita de ver, ler ou levar o diário, mas não conseguia ir buscá-lo. Uma parte de mim queria ir lá agarrá-lo, abrir e folheá-lo, ler cada palavra mas ao mesmo pensava no que a Kate me tinha dito acerca dele. Dei um passo em frente, depois outro até ficar em frente da secretária. A curiosidade estava a matar-me e não aguentei mais e coloquei a mão na capa do diário. De repente ouvi passos. Alguém estava a aproximar-se. Não pensei duas vezes, agarrei no diário e sai directamente para o meu quarto.
Sentei-me na cama e não consegui abrir o diário, talvez por medo ou receio, não sei, em vez disso escondi-o debaixo da cama, sai para a rua e telefonei à minha irmã.
Depois de oito tentativas e de muitas mensagens, por fim, ela atendeu:
- Que se passa, James? Qual é a pressa?
- Preciso que venhas urgentemente para casa. Onde estás?
- Estou em casa dos tios, estava a pensar ficar cá a passar a noite.
- Não! Vem para casa, há um assunto muito importante que preciso resolver contigo.
- James, mas o que se passa? E porque não podes esperar?
- Depois digo-te, agora preciso que venhas para casa.
- Eu ia, mas mesmo que quisesse não posso.
- Porquê?
- O John levou o meu carro, mas ele vem buscar-me amanhã de manhã.
Eu não podia sair de casa, não podia correr o risco de, como por magia, o diário desaparecer novamente.
Não dormi durante toda a noite, tinha demasiadas coisas na minha cabeça. Pensava em tudo e em nada. De manhã, a Sophie chegou e foi ter ao meu quarto.
- Posso saber agora qual é o assunto que tenho, com tanta importância, de resolver contigo?
- Claro, que podes. Olha…
Mostrei-lhe o diário.
- Isso é… Isso é o… - disse ela.
- Sim, o livro que o pai escondeu, mais propriamente um diário.
Contei-lhe tudo sobre o diário estar amaldiçoado e isso tudo mas mesmo assim ela queria lê-lo.
- Achas mesmo que essa história é real, James? Vá lá, dá-me o diário.
Ela abriu-o e começou a ler:
- “… e foi um tiro certeiro, mesmo na cabeça. Limpo e mortal.”
Como um movimento inato, os meus olhos desviaram-se para as páginas do diário e acabei por ler uma frase. A minha irmã olhou para mim e disse:
- Estás a ver? Nada aconteceu. Neste diário só estão palavras, apenas palavras.
Mas seriam apenas palavras? Eu queria saber, mas tinha medo de descobrir.

The Book :: Capítulo VIII - Harry Taylor


Fiquei parado a olhar para a rapariga. Nem queria acreditar. Podia ser ela a solução, podia ser hoje que eu ia descobrir todo o mistério que se instalara na minha casa sobre aquele livro.
- Está bem? - perguntou-me ela.
- Sim, está tudo bem. Só estava a pensar em... Desculpe, eu sou o James.
- Kate.
- Posso tratá-la por tu?
- Claro... James.
- Então que sabes sobre esse tal diário?
- Bem, tudo o que sei são histórias, não sei se são verdadeiras ou não.
- Não faz mal. Queres ir dar uma volta para conversar?
- Certo. Tudo bem.
Fomos dar uma volta pelo parque e ela contou-me sobre um velho livro que tinha:
- E como te estava a dizer, nesse livro é que estão escritas coisas acerca desse tal diário.
- Mas o que está lá exactamente?
- Bem, Harry Taylor era um homem normal como tantos. Tinha mulher e dois filhos. Um dia quando chegou a casa do trabalho encontrou um cenário de puro horror.
- Que aconteceu?
- A mulher e os filhos tinham sido brutalmente assassinados. Pelo menos um dos filhos, pois nunca chegaram a encontrar o corpo da sua filha.
Aquele cenário fez com que Harry Taylor despertasse o seu lado mais negro, ele não parou até se vingar de quem lhe tinha levado quem ele mais amava.
- E chegou mesmo vingar-se?
- Pelo que sei, não só se conseguiu vingar como também matou e torturou dezenas de pessoas até encontrar o verdadeiro assassino da sua família e era nesse diário, o que procuras, que ele escrevia tudo, como os torturava e os matava.
- Estou a perceber que tudo isso é horrível, mas, para além disso, o que tem de tão mau, esse diário?
- Dizem que Harry Taylor morreu porque todos aqueles que ele matou assombraram o livro e que enquanto ele estava a ler como tinha asfixiado um homem, segundos depois... morreu asfixiado.
- O quê?!
- Sim, parece que nada deve ser lido daquele diário. Mas isto é só uma história, não posso afirmar que é verdadeira...
Que história… era no mínimo inacreditável. Pouco depois voltei para casa. Tinha de contar à Soph o que descobrira.
Quando cheguei chamei-a mas não me respondeu, procurei por toda a casa mas ela não estava. O único sítio onde não tinha ido era ao escritório do meu pai.
- Sophie, estás aqui?
Entrei e fiquei parado a olhar para a secretária.
Porque parei? Porque na secretária estava... o diário.

The Book :: Capítulo VII - Novo Rumo

Depois do que acontecera na noite passada não consegui dormir nada e de manhã telefonei à Emma, a minha namorada, para se encontrar comigo. Ela disse-me para a encontrar no café perto do seu trabalho. Quando lá cheguei ela estava muito preocupada.
- Que se passa, James? Porquê tanta urgência em falar comigo?
- Eu precisava de sair de casa dos meus pais, de falar com alguém e eu confio totalmente em ti.
- Claro que podes confiar, mas conta-me o que se passa.
- Eu acho que estou a ficar paranóico, Emma.
- Como assim?
- Ando louco atrás de um livro que estava numa caixa do meu pai, mas agora já não está lá...
- Outra vez os livros?
- Não é isso. O meu pai tem agido muito misteriosamente nos últimos dias e tem algo a ver com esse livro.
- Mas acabaste de me dizer que já não sabes do livro.
- Foi o meu pai que o tirou de lá, só pode. Só pode...
Falámos durante umas horas, contei-lhe tudo o que se estava a passar e por fim fiquei mais calmo.
- Se pensas mesmo que algo se está a passar com o teu pai, tenta falar com ele outra vez.
- Não adianta, ele ignora as minhas perguntas e depois do que aconteceu ontem duvido que queira falar comigo.
- Bem, eu tenho que ir andando, James. Tenho trabalho.
- Está bem, obrigado pela conversa.
- Sempre que precisares. Adeus.
Já que estava pela cidade resolvi ir até à biblioteca. Podia ser que encontrasse alguma pista sobre o livro.
Depois de procurar nalgumas prateleiras, fui até aos computadores, mas nada. Não havia nada sobre o livro. Eu também não sabia muito sobre ele, apenas como era e que era um diário pois estava escrito na capa. Irritado, levantei-me da cadeira e, sem querer, fui contra uma rapariga que acabei por derrubar.
- Desculpe, não a vi.
- Pois, deu para perceber isso.
- Peço mesmo muitas desculpas.
- Não se preocupe, já me aconteceu pior. Mas porque está assim?
- Estou á procura de informações sobre um livro mas não encontro nada.
- Que tipo de livro?
Disse-lhe o pouco que sabia sobre o livro e ela respondeu:
- Espere, eu acho que sei como ajudá-lo.
- A sério?
- Sim, você está à procura do Diário de Harry Taylor.

The Book :: Capítulo VI - Segredos e Mentiras

Não demorou muito tempo para o meu pai e o John estarem no sótão para verem o que se passava por causa do barulho.
Quem chegou primeiro foi o John que disse:
- Soph? Que aconteceu? Estás bem?
- Sim, estou. Não aconteceu nada de mais. Apenas arrombei a porta.
- Arrombaste a porta? Porquê?
- Nós tínhamos de entrar, mas o sótão estava trancado.
Enquanto eles falavam, eu olhava incrédulo para a caixa. O livro que eu tentara levar no outro dia, desaparecera. Agora tinha 100% de certeza. Algo se passava e estava definitivamente relacionado com o livro. Mas o quê?
O meu pai chegou ao sótão.
- Estão loucos? - gritou - Arrombaram a porta e entraram no sótão!
- Pai, fui eu quem destruiu a porta - disse a minha irmã.
- Não quero saber quem fez o quê! Quero todos, todos fora daqui! Imediatamente!
Eu continuava a olhar para a caixa.
- E tu? O que estás a fazer com essa caixa outra vez? Não te disse para não lhe mexeres?
- Porquê? O que tem a caixa, ou melhor, o que tinha?
- Não te interessa! Não tens o direito de mexer nas minhas coisas, James!
- Onde está o livro? Onde está? Foi o pai que o levou, não foi?
- Tu não estás bem. Estão aí todos os meus livros. Do que é que estás a falar?
- O pai sabe muito bem o que se passou no outro dia e agora escondeu o livro, o que só prova que há algo nele que não quer que seja visto!
- James, não existe livro nenhum!
- Agora, para além de se estar a tornar num louco, também se está a tornar num mentiroso?
Estava exaltado, e não pensei antes de falar. O meu pai deu-me uma grande chapada.
- Eu não te admito, James! Tu estás completamente fora de ti! Sai! Sai daqui!
- Eu saio, mas eu prometo que vou descobrir o que está a esconder.

The Book :: Capítulo V - Plano

Tínhamos tudo combinado, depois de estarem todos a dormir, eu e a Soph encontrávamo-nos e tentaríamos entrar no sótão.
- Estás pronta para logo?
- Sim... Acho eu.
- Que se passa?
- Nada, vamos a isso.
Durante toda a tarde a Soph tentou falar com o meu pai mas ele continuou com os mistérios e a fugir ao assunto. Agora tinha a certeza que algo de muito mau se estava a passar. Não era normal ele tratar assim a minha irmã, nunca tiveram segredos um para o outro e de repente ele começava a esconder as suas coisas e a esconder-se a si próprio, a esconder-se nas suas palavras. Agora também tinha a certeza que era algo relacionado com o que ele escondera no sótão. Haveria algo escrito naqueles livros que ele não queria que fosse lido? Um segredo ou algo do género? Eu não sabia ainda mas esperava descobrir nessa noite.
Por fim, a noite chegou, encontrei-me com a Soph e fomos até ao sótão.
- Como vamos abrir isto, J?
- Vou tentar partir o cadeado com este alicate.
Eu bem tentei, de mil e uma maneiras abri-lo ou parti-lo, mas o cadeado conseguiu sempre ganhar.
- Temos que descobrir outra maneira de abrir a porta, J. Assim nunca vamos conseguir.
- E como?
- Eu sei de uma maneira. Espera aqui.
Esperei durante um pouco até que a Soph regressou com uma grande pedra.
- O que estás a pensar fazer, Soph?
- Sai da frente.
- Isso vai fazer muito barulho. Pára!
Passaram milésimos de segundos entre eu ter dito 'Pára!' e a Soph ter atirado a pedra que partiu o cadeado e a porta.
- Tu ouviste o barulho que isso fez? Devem estar todos acordados neste momento. És louca?
- Cala-te, J. Vamos é procurar a caixa com os livros, não era isso que querias?
Entrámos, procurámos e encontrámos a caixa. Eu abri-a e disse:
- Isto não pode estar a acontecer.
- O que foi, J?
Eu não estava a acreditar... o livro tinha desaparecido.

The Book :: Capítulo IV - Ajuda

Se eu já estava preocupado com o meu pai, ainda fiquei mais depois do que se passou no sótão. Parecia que eu iria lançar um vírus mortal à escala mundial se tivesse levado o livro. Foi muito estranho e sempre que tentava falar com ele, ou mudava o assunto ou dizia a célebre frase:
- O que no passado está, no passado deve ficar.
Estava mesmo decidido a voltar ao sótão mas agora teria que lhe roubar a chave, arrombar a porta ou algo do género.
O meu telemóvel tocou e atendi:
- Estou?
- James, é a Sophie. Estás na casa dos pais?
- Sim, porquê?
- Eu chego hoje e levo o John comigo.
- Está bem. Até logo.
- Até logo, J.
Aquela chamada parecia-me como que um sinal, pois a minha irmã poderia ajudar-me a descobrir o que se passava com o meu pai e uma forma de entrar no sótão.
A minha irmã e o seu namorado John chegaram e não esperei para lhe contar o que se passava:
- Tens de me ajudar, Soph. Algo de estranho se passa com o pai e eu não sei porquê.
- J, a mãe morreu é isso que se passa.
- Não é só isso, ele escondeu todos os livros no sótão e trancou-o.
- Os livros? Mas porquê?
- Não sei, é por isso que preciso que me ajudes a entrar no sótão para ver de que livro se trata.
A minha irmã não estava muito confiante mas por fim disse:
- Espero não me arrepender.

The Book :: Capítulo III - Fechado

Estava cada vez mais curioso para descobrir o que fez o meu pai esconder todos os seus livros de tudo e de todos. Não consegui aguentar e fui até ao sótão. Procurei em todas as caixas e baús até que encontrei uma grande caixa de cartão onde estavam todos os livros. Eram mais ou menos uns 100, todos muito velhos e de autores muitos interessantes. Não encontrei nada de anormal, de estranho com aqueles livros, então peguei num e quando me virei o meu pai estava atrás de mim e disse:
- James, coloca o livro na caixa.
Tentei perguntar-lhe porquê mas ele não me deu a oportunidade e voltou a dizer:
- Coloca o livro na caixa. Agora!
Fiz o que me disse e rapidamente ele fechou a caixa e empurrou-a para um canto do sótão, por detrás de todas as outras coisas e fez-me sair. Tirou uma chave do bolso e trancou a porta do sótão.

The Book :: Capítulo II - Mudanças

Sou historiador e um verdadeiro amante de livros. Sou obcecado por primeiras edições e passo grande parte do meu tempo a ler e a estudar os meus livros.
A minha mãe morreu há poucos dias e eu decidi voltar para casa para ficar perto daquilo que me faz lembrar dela. As paredes, as portas, a mobília, tudo tem um pouco que me traz a sua recordação.
O meu pai tem a mesma paixão que eu em relação aos livros, ou pelo menos tinha, agora ele diz já não acreditar neles, que não são nada mais do que a passagem da loucura dos autores para o papel e que prefere ficar só com a sua loucura do que andar a coleccioná-las.
Nunca entendi o que o fez realmente encaixotar todos os seus livros e levá-los para o sótão, pois o amor que ele tinha por eles não podia simplesmente ter morrido da noite para o dia.

The Book :: Capítulo I - Livro

Não é um livro qualquer, não é sequer apenas um livro, é mais do que isso, é um mundo... que se torna real após ser lido, mas isso até não seria um problema se toda a história desse livro fosse boa, o que na realidade não é.
É um diário de um psicopata, onde o mesmo escreveu todas as suas fantasias mais ousadas e sangrentas.
Este livro é considerado um grande perigo. Dele não deve ser lido um parágrafo ou, simplesmente, uma frase pois tudo pode acontecer dependendo do que for lido.

E porque falo nele agora? Ele destruiu tudo o que mais amava.